Empresário da Ruralvit, Paulo Bittar é referência no controle biológico em publicação do IMAmt


Capa do livro

O empresário Paulo Bittar, farmacêutico industrial e dirigente da Ruralvit, colaborou em uma publicação referência sobre o manejo algodoeiro em Mato Grosso. A publicação foi realizada pelo Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), entidade sem fins lucrativos criada em 2007, com o objetivo de atender às demandas dos associados da AMPA, realizando pesquisa, desenvolvimento e difusão de novas tecnologias para os produtores.

O artigo USO DO Baculovirus spodoptera NO ALGODOEIRO para controlar a lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda), escrito por Paulo e que teve trechos usados na publicação IMAmt, está disponível também no site da Ruralvit. Confira abaixo o artigo na íntegra.

 

Introdução:

O uso de Baculovirus na agricultura foi muito extenso e atualmente continua expandindo. Cerca de 30% das pestes causadas por insetos na agricultura, podem ser controlados por Baculovirus. O Brasil foi palco do maior programa de uso de Baculovirus no mundo, nos anos 90, tratando mais de 2 milhões de hectares com o Baculovirus para controle da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis).

O primeiro produto a base de Baculovirus spodoptera no mundo foi lançado em julho de 2017, no Brasil. Resultado de tecnologia Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a empresa Grupo Vitae Ltda, com a marca CartuchoVIT.

 

Recomendações de uso:

Todo Baculovirus é específico para sua lagarta. Baculovirus spodoptera controla somente a lagarta-do-cartucho. O que traz vantagens importantes. Não elimina outros inimigos naturais e é uma ferramenta que traz um novo mecanismo de ação. Evita o aparecimento de lagartas resistentes, tão comum nos agroquímicos e nos eventos transgênicos. É vida controlando vida.

Ingestão das partículas virais: as partículas virais de qualquer Baculovirus precisam ser ingeridas pela lagarta, quando raspa as folhas. Nunca atuam por contato. Assim, para um bom resultado é fundamental que se faça uma EXCELENTE cobertura.

Bico de pulverização tipo leque é o que deve ser usado para se ter a melhor cobertura. É recomendação Embrapa.

Baculovirus

Proteção contra UV: os Baculovirus possuem partículas virais, os vírions, que são envolvidos por poliedrina, uma proteína que forma um poliedro grande o suficiente para ser visível ao microscópio ótico. O Baculovirus sofre com a incidência de luz ultravioleta (UV) do sol e sua atividade cai em horas, após exposição intensa ao sol. Assim, é ESSENCIAL a aplicação após as 16 h, quando os raios UV diminuem drasticamente.

Proteção contra calda alcalina: a poliedrina, proteína que encapsula as partículas virais dos Baculovirus, é muito resistente. Já se constatou viabilidade de Baculovirus no solo, durante meses ou mesmo um ano. Entretanto há um ponto fraco. A poliedrina é rapidamente destruída por meio alcalino. Portanto, a CALDA DEVE NECESSARIAMENTE SER LEVEMENTE ÁCIDA OU NEUTRA (pH entre 5 e 7). Usar calda alcalina é jogar dinheiro e tecnologia fora. Todo o Baculovirus vai ser destruído.

PH de 5 a 7

Alcalinidade do algodoeiro e uso de adesivo-espalhante: as folhas do algodoeiro excretam substâncias alcalinas. Deve-se portanto usar produtos na calda, que mantenham o pH ácido. Produtos com capacidade de aumentar a adesividade e a espalhabilidade das partículas de vírus são ESSENCIAIS para os resultados. Nunca aplique Baculovirus sem esses aditivos adesivos-espalhantes. Alguns deles também mantém a calda ácida e trazem muitos benefícios para aplicação no algodoeiro. A Embrapa através do pesquisador Fernando Hercos Valicente testou o produto Blend (http://www.kimberlit.com/produto/blend) onde constatou ótimos resultados no algodoeiro, com a calda atingindo pH=4,65.

Menor que 1 cm

Posicionamento das aplicações e tamanho das lagartas: é fundamental posicionar as aplicações de Baculovirus spodoptera no momento correto em relação ao tamanho das lagartas. Isso porque estas conseguem chegar ao estádio de pupa e dar continuidade ao ciclo reprodutivo, se forem infectadas por Baculovirus tardiamente. Resultados de laboratório e a campo indicam que consegue-se MORTALIDADE de mais de 95% em lagartas de 1-2 dias de vida e cerca de 75% em lagartas com 5 dias de vida (cerca de 1 cm de comprimento). Não se deve fazer aplicação de Baculovirus quando as lagartas tiverem mais de 5 dias (mais de 1 cm de comprimento).

A primeira pulverização, a depender do monitoramento, deve ser realizada assim que forem observados os primeiros sinais de folhas raspadas, que pode ocorrer entre os 5 e 15 dias após a germinação.
Uma segunda aplicação deve ser feita sete dias após a primeira.

Quanto menor forem as lagartas, melhores serão os resultados.

A depender da pressão de lagartas deve-se repetir as aplicações tantas vezes quantas forem necessárias.

Chuvas e reaplicação: se chover logo após a aplicação de Baculovirus spodoptera, é necessário fazer a reaplicação porque a chuva vai levar os Baculovirus para o solo. A fração de Baculovirus que for carreada pela chuva, ao cartucho, continua ativa e vai provocar a morte das lagartas ali alojadas.

50g por hectare

Dose: pesquisas da Embrapa Milho e Sorgo determinaram que a dose deve ser de 50 gramas/hectare. É comum no meio agrícola, que profissionais e produtores tentem usar doses menores para economizar recursos financeiros. O resultado da aplicação certamente ficará abaixo do potencial desta tecnologia. Em testes a campo e em laboratório verificou-se de forma exaustiva, que doses menores que 50g/hectare resultam em menor mortalidade.

Volume de calda: o volume MÁXIMO de calda para a dose de 50 gramas/hectare é de 150 litros. O que resulta em uma concentração de 2 x 106 poliedros de Baculovirus spodoptera/mL de calda. Essa é a dose eficaz e ao mesmo tempo, econômica. É comum que profissionais e produtores desejem aumentar o volume da calda para, por exemplo, 200 litros. Esta atitude vai trazer REDUÇÃO DA MORTALIDADE porque a concentração de poliedros (partículas de Baculovirus spodoptera) será menor que a mínima descrita acima. Tem-se que perceber que após a aplicação os poliedros estarão distribuídos pelas folhas da planta. Se o volume da calda for maior que 150 litros o número de poliedros por cm2 na planta será menor, fazendo com que a probabilidade da lagarta ingerir os Baculovirus também fique menor, diminuindo assim a mortalidade. Mesmo que se aplique 50 g/hectare.

Compatibilidade com outras substâncias na calda de aplicação: é comum a campo, que se encontrem culturas em que as lagartas estão em sobreposição de gerações. Ou seja, lagartas de todas as idades e tamanhos. Torna-se então, interessante que se faça uma limpeza através de inseticidas químicos em associação na mesma calda, com Baculovirus spodoptera. Neste momento vem a questão da compatibilidade entre um ser vivo, o Baculovirus spodoptera e inseticidas químicos. Diversos ensais mostram que há compatibilidade de Baculovirus spodoptera com os seguintes inseticidas: Metomil, Clorpirifós, Profenofós, Flubendiamida e Lufenuron. Há compatibilidade também com Espinosade e Bacillus thuringiensis (Bt).

Verificação da eficiência das aplicações de Baculovirus spodoptera: A eficácia do produto pode ser constatada pela observação das três folhas centrais do cartucho, que crescerem após a aplicação. Lembrete: folhas mais velhas, com danos, não devem ser consideradas.

Transporte, estocagem e refrigeração de Baculovirus spodoptera Ao contrário de produtos importados, na forma líquida, à base de Baculovirus, a tecnologia desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo resultou em produto em pó molhável, que não necessita de refrigeração. Assim, o transporte e a estocagem destes produtos derivados da tecnologia Embrapa, podem ser feitos de maneira convencional. Cabe ressaltar que os produtos à base de Baculovirus spodoptera com tecnologia Embrapa podem ser submetido a refrigeração até a -18°C sem qualquer dano ao produto e com perfeita conservação.

 

Paulo César Manara Bittar
Empresário do Grupo Vitae- Ruralvit Biotech
Produtor de CartuchoVIT-Baculovirus spodoptera

 

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