Lagarta-do-Cartucho. Como vencer a resistência e acabar com essa praga.


Nos últimos anos, o uso indiscriminado de inseticidas vem tornando a lagarta-do-cartucho cada vez mais resistente, mesmo aos inseticidas mais potentes. Porém, um novo mecanismo de ação biotecnológico vem se mostrando extremamente eficaz contra a lagarta, e não existem casos documentados de resistência. O Baculovirus spodoptera, mecanismo de ação do CartuchoVIT, é fatal para a lagarta-do-cartucho, independente do cultivo em que ela está presente. Usos comuns incluem milho, sorgo, soja e algodão, dentre outros.

Desenvolvido em parceria com a Embrapa e lançado em 2017, esse produto foi o primeiro no mundo a aplicar comercialmente o Baculovirus spodoptera como forma de controle da lagarta-do-cartucho. Nesse artigo vamos nos aprofundar em como esse mecanismo de ação funciona e como obter os melhores resultados com essa nova tecnologia.

 

O uso de Baculovirus na agricultura sempre foi extenso e atualmente vem se expandindo muito. Cerca de 30% das pestes causadas por insetos na agricultura, podem ser controlados por Baculovirus. O Brasil foi palco do maior programa de uso de Baculovirus no mundo, nos anos 90 e 2000, tratando mais de 2 milhões de hectares com o Baculovirus para controle da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis).

Todo Baculovirus é específico para sua lagarta, o que traz vantagens importantes. Não elimina outros inimigos naturais e é uma ferramenta que traz um novo mecanismo de ação. Evita o aparecimento de lagartas resistentes, tão comum nos agroquímicos e nos eventos transgênicos. É vida controlando vida.

Como as partículas virais precisam ser ingeridas pela lagarta durante a raspagem da folha, a aplicação precisa atingir uma cobertura excelente. Isso é fácilmente atingível com o bico de pulverização e uso de adesivo-espalhante, conforme recomendado pela Embrapa.

 

pH da calda e a alcalinidade


A poliedrina, proteína que encapsula as partículas virais dos Baculovirus, é muito resistente. Já se constatou viabilidade de Baculovirus no solo, durante meses ou mesmo um ano. Entretanto há um ponto fraco. A poliedrina é rapidamente destruída por meio alcalino. Portanto, é muito importante medir o pH da calda, mantendo sempre entre 5 e 7. pH até 3,5 não destrói o Baculovirus spodoptera, mas os agrupa.

As folhas do algodoeiro são um caso à parte, pois excretam substâncias alcalinas. Deve-se portanto usar produtos na calda, que mantenham o pH da folha do algodoeiro, em pH neutro. Produtos com capacidade de aumentar a adesividade e a espalhabilidade das partículas de vírus são essenciais para os resultados. Alguns deles também mantém a calda ácida e trazem muitos benefícios para aplicação no algodoeiro. O pesquisador Fernando Hercos Valicente testou vários produtos, e dentre eles o Blend (http://www.kimberlit.com/produto/blend) e o Kant Phós (http://www.kimberlit.com/produto/kant-phos?link_automatico=kant-phos) onde constatou ótimos resultados no algodoeiro, com a calda atingindo pH=4,65 e pH=3,41, respectivamente. O Blend é a escolha porque proporcionou pH ácido, um pouco mais elevado que o Kant Phós. pH muito baixo provoca a aglutinação de partículas virais, dificultando um pouco uma calda mais homogênea.

 

Posicionamento das aplicações e tamanho das lagartas

Posicionar as aplicações de Baculovirus spodoptera no momento correto em relação ao tamanho das lagartas também é muito importante. Isso porque, se forem infectadas por Baculovirus tardiamente, elas conseguem chegar ao estádio de pupa e dar continuidade ao ciclo reprodutivo. Resultados de laboratório e a campo indicam que consegue-se MORTALIDADE de mais de 95% em lagartas de 1-2 dias de vida e cerca de 75% em lagartas com 5 dias de vida (cerca de 1 cm de comprimento). Não se deve fazer aplicação de Baculovirus quando as lagartas tiverem mais de 5 dias (mais de 1 cm de comprimento).

A primeira pulverização, a depender do monitoramento, deve ser realizada assim que forem observados os primeiros sinais de folhas raspadas, que pode ocorrer entre os 5 e 15 dias após a germinação. Uma segunda aplicação deve ser feita de cinco a seis dias após a primeira. Para que lagartas que saíram de seus ovos logo depois da primeira aplicação do produto, não cheguem a mais de 5 dias de vida.

Quanto menor forem as lagartas, melhores serão os resultados.

A depender da pressão de lagartas deve-se repetir as aplicações tantas vezes quantas forem necessárias.

Se chover logo após a aplicação de Baculovirus spodoptera, é necessário fazer a reaplicação. Isso ocorre porque a chuva leva os Baculovirus para o solo. A fração de Baculovirus que for carregada pela chuva, ao cartucho, continua ativa e vai provocar a morte das lagartas ali alojadas.

 

Dose e volume de calda

Pesquisas da Embrapa Milho e Sorgo determinaram que a dose deve ser de 50 gramas/hectare. É comum no meio agrícola, que profissionais e produtores tentem usar doses menores para economizar recursos financeiros. O resultado da aplicação certamente ficará abaixo do potencial desta tecnologia. Em testes a campo e em laboratório verificou-se de forma exaustiva, que doses menores que 50g/hectare resultam em menor mortalidade.

O volume MÁXIMO de calda para a dose de 50 gramas/hectare é de 150 litros. O que resulta em uma concentração de 2 x 106 poliedros/mL de Baculovirus spodoptera/mL de calda. Essa é a dose eficaz e ao mesmo tempo, econômica. É comum que profissionais e produtores desejem aumentar o volume da calda para, por exemplo, 200 litros. Esta atitude vai trazer REDUÇÃO DA MORTALIDADE porque a concentração de poliedros (partículas de Baculovirus spodoptera) será menor que a mínima descrita acima. Se for necessário um volume de calda maior que 150 litros, a dose/hectare deve ser ajustada proporcionalmente. Por exemplo, para 200 litros de calda deve-se usar 67 g de CartuchoVIT/hectare.

 

Compatibilidade com outras substâncias na calda de aplicação

É comum a campo, que se encontrem culturas em que as lagartas estão em sobreposição de gerações. Ou seja, lagartas de todas as idades e tamanhos. Torna-se então, interessante que se faça uma limpeza através de inseticidas químicos em associação na mesma calda, com CartuchoVIT, o Baculovirus spodoptera. Neste momento vem a questão da compatibilidade entre um ser vivo, o Baculovirus spodoptera e inseticidas químicos. Diversos ensaios mostram que há compatibilidade de Baculovirus spodoptera com os seguintes inseticidas: Metomil, Clorpirifós, Profenofós, Flubendiamida e Lufenuron. Há compatibilidade também com Espinosade e Bacillus thuringiensis (Bt).

 

Verificação da eficiência das aplicações de Baculovirus spodoptera

A eficácia do produto pode ser constatada pela observação das três folhas centrais do cartucho, que crescerem após a aplicação. Lembrete: folhas mais velhas, com danos, não devem ser consideradas.

 

Transporte, estocagem e refrigeração de Baculovirus spodoptera

Ao contrário de produtos importados, na forma líquida, à base de Baculovirus, a tecnologia desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo resultou em produto em pó molhável, que não necessita de refrigeração. Assim, o transporte e a estocagem destes produtos derivados da tecnologia Embrapa, podem ser feitos de maneira convencional. Cabe ressaltar que os produtos à base de Baculovirus spodoptera com tecnologia Embrapa podem ser submetido a refrigeração até a -18°C sem qualquer dano ao produto e com perfeita conservação.

 

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